Imagine um anúncio de vaga que exige inglês fluente, espanhol avançado, domínio de Excel, Power BI, Python, SQL, soft skills impecáveis, resiliência, flexibilidade e… é para estágio.
Parece exagero? Infelizmente, não é. Essa prática ainda é bastante comum e reflete um modelo de recrutamento que, em vez de ser ponte de desenvolvimento, se torna muro de exclusão.
O que deveria ser uma oportunidade de formação, muitas vezes vira um filtro elitista, que ignora as desigualdades estruturais da sociedade. Isso impede que talentos, que não tiveram acesso às mesmas oportunidades, sequer consigam entrar na conversa.
A Dura Realidade das Leis de Cotas: Reflexo de um Mercado que Insiste em Não Enxergar
Se chegamos ao ponto de precisar de legislação para garantir o mínimo de inclusão — seja para aprendizes, pessoas com deficiência, mulheres, grupos minoritários e, cada vez mais, profissionais acima de 50 anos — é porque existe uma miopia social gravíssima no mercado de trabalho.
Vamos ser diretos: cumprir a lei é obrigação mínima. Não é mérito. Não é diferencial. E definitivamente não garante selo de ESG pra ninguém.
Ter aprendizes, incluir pessoas com deficiência, promover diversidade de gênero ou abrir espaço para profissionais maduros não deveria ser algo imposto — deveria ser algo natural, parte de uma visão moderna, consciente e alinhada com qualquer lógica mínima de sustentabilidade social e econômica.
O mais importante não é preencher cotas — é preencher vidas de oportunidade. É ensinar a pescar, investir no desenvolvimento, acreditar no potencial humano. E, acredite, quem faz isso colhe. E colhe muito.
ESG Não é Marketing, é Prática
Muito se fala em ESG, mas o S — o Social — continua sendo tratado como decoração de relatório. Praticar o S significa abrir portas, capacitar, incluir e cuidar. É sair do discurso bonito e entrar na ação concreta.
Quando o social é bem feito, ele não transforma só o colaborador — transforma famílias, comunidades e o próprio negócio. É um ciclo virtuoso que impacta diretamente engajamento, produtividade, reputação e resultados financeiros.
Inteligência Artificial: Aumentando Pontes ou Erguendo Muros?
A IA no RH pode ser uma revolução positiva se usada com ética e propósito. Ela ajuda a eliminar viés inconsciente, torna os processos mais rápidos e democráticos.
Mas, se for alimentada com os mesmos dados e padrões que historicamente excluem, ela se torna uma ferramenta que apenas automatiza a desigualdade. Tecnologia sem consciência é só eficiência na exclusão.
Empresas Humanas Performam Mais
Não há contradição entre ser uma empresa humana, socialmente responsável e ser uma empresa de alta performance. Pelo contrário. Diversidade, inclusão e desenvolvimento social trazem inovação, engajamento e resultados. Está comprovado.
Quem investe em pessoas, cresce. Quem inclui, prospera. E quem entende que contratar é cuidar, descobre que o maior retorno vem do impacto que gera — para o mundo, para a sociedade e, claro, para o próprio negócio.
Contratar é Cuidar. E Isso Não é Slogan — É Compromisso.
Se você acha que ESG se resume a plantar árvore, trocar lâmpada e fazer relatório bonitinho… é hora de rever o conceito. ESG de verdade começa nas pessoas.
Cumprir a lei não é ESG. Cumprir a lei é obrigação. ESG de verdade é quando você faz mais — faz porque acredita, faz porque é o certo, faz porque entende que ninguém cresce sozinho.
Porque no fim, o que realmente transforma não é preencher uma vaga. É preencher vidas de oportunidade. É ensinar a pescar. E colher, junto, os frutos desse compromisso.


